Gaio e seu ministério à Igreja (3Jo 5-8) Texto por: Pr. Dr. José Carlos Ramos
Embora tão pastoral como a primeira e segunda epístolas, a terceira não trata de dois temas comuns às anteriores: a comunhão com Deus (salvo em termos de andar na verdade, o que ele toca de passagem no v. 3), e o trato com dissidentes e seu ensino. Não obstante, o propósito de João é, ao reverso, o mesmo da epístola anterior. Nesta, ele apela aos destinatários a não hospedarem os promotores do engano (lembrando-os de que, se o fizessem, estariam compactuando com o erro); agora ele apela a que recebam com carinho os agentes da verdade (na certeza de se tornarem cooperadores dela se assim procedessem). Do Didachē, ou O ensino dos doze apóstolos (obra surgida em meados do segundo século), sabemos da existência, naqueles dias, de mestres itinerantes, cujo ensino poderia ou não condizer com a verdade; eles visitavam igrejas e os membros destas se sentiam na obrigação de hospedá-los, mesmo porque o próprio Jesus, ao enviar os doze e os setenta discípulos a pregar, havia tocado esse ponto nas orientações a eles dadas (ver Mt 10:11-13; Lc 10:5-7). João advertiu os membros a que não recebessem os mestres que contrariavam o ensino apostólico (2Jo 10, 11), ao tempo em que deviam abrigar aqueles que o confirmavam e expandiam, principalmente se credenciados ou recomendados para esse mister. Com tal fim em vista, ele elogiou a Gaio, que, exercitando a hospitalidade com esses pregadores fiéis, evidenciava de maneira muito positiva o ato de andar na verdade; esse cristão agia de forma tal que sua conduta correspondia com precisão ao que professava. Gaio aparece em franco contraste com Diótrefes (estudo de amanhã), um mau elemento que desdenhava a autoridade apostólica de João não somente repelindo os mestres recomendados por ele (ou por seus associados), como instigando membros da igreja, onde impunha o domínio, a fazer o mesmo. A atitude de Gaio ilustra o fato de que nossas afirmações de fé só terão valor se refletidas em atos de afeto e abnegação. |